Pesquisadores da Unicamp descobrem potencial curativo da casca de romã

  • 12/02/2026
(Foto: Reprodução)
O poder da romã: pesquisadores descobrem que casca da fruta tem poder de cura Um estudo publicado na revista científica Journal of Food Processing and Preservation revelou que as cascas de romã têm um alto potencial para o tratamento de feridas na pele. Pesquisadores da Faculdade de Ciências Aplicadas (FCA) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) testaram 11 extratos provenientes de resíduos da indústria alimentícia para investigar a capacidade curativa de cada um deles. 📱 Receba conteúdos do Terra da Gente também no WhatsApp Entre os materiais analisados estavam sementes de melão; casca e borra de café; folhas de goiaba e manga; além de cascas de limão, uva, maçã, manga, laranja e romã. O objetivo da pesquisa é desenvolver uma alternativa natural aos antibióticos sintéticos, cujo uso indiscriminado tem gerado resistência bacteriana. A iniciativa também busca dar um destino sustentável e rentável aos descartes da indústria alimentar, transformando-os em produtos de alto valor agregado para a saúde humana. Veja mais do Terra da Gente: FOTO: 'Escondida' nas cachoeiras de MG, nova espécie de libélula é encontrada VÍDEO: Aves 'fazem fila' e esperam milho ser descascado para fazer banquete PIMENTA-DE-MACACO: Planta do quintal da avó pode ajudar na saúde feminina; entenda Ação contra bactérias Pesquisadores da Unicamp descobrem potencial curativo da casca de romã ulleo/ pixnio Durante os testes, os extratos foram aplicados sobre bactérias causadoras de infecções em feridas para que as reações aos compostos fossem comparadas. A romã se destacou como o extrato de maior potencial na ação contra esses microrganismos. “A casca da romã é extremamente rica em compostos fenólicos – como o ácido elágico e as punicalaginas – que reconhecidamente apresentam propriedades antioxidantes e antimicrobianas. Na natureza, essas substâncias são consideradas defesas naturais da própria planta que têm a capacidade de inibir ou matar microrganismos como bactérias e fungos”, afirma Thais Carvalho Brito Oliveira, engenheira de alimentos e pesquisadora líder do estudo. Segundo ela, a pesquisa demonstrou que os resíduos da casca de romã apresentam atividade antimicrobiana contra bactérias como Staphylococcus aureus, Staphylococcus epidermidis e o fungo Malassezia furfur, frequentemente associados a infecções cutâneas. Ao controlar esses patógenos, o extrato ajudaria o corpo a focar na cicatrização natural, evitando o agravamento ou a demora no fechamento da lesão. Pesquisadores da Unicamp descobrem potencial curativo da casca de romã pics_pd/pixnio Apenas a bactéria Pseudomonas aeruginosa não sofreu efeito dos extratos, devido à sua alta taxa de resistência. Para inibir esse agente indesejado, a equipe utilizou simulações computacionais visando projetar extratos ainda mais potentes. Outros substratos também demonstraram eficácia. A folha de goiaba, por exemplo, atuou contra três tipos de micróbios (assim como a romã). No entanto, o diferencial da romã foi a alta concentração de fenólicos totais, compostos que atuam diretamente freando o crescimento ou eliminando as bactérias. Sustentabilidade e inovação A engenheira de alimentos explica que alguns compostos da romã já eram conhecidos pela ciência por suas propriedades biológicas, mas ressalta o ineditismo do estudo: “Embora a literatura já apontasse as propriedades antimicrobianas da casca de romã, a novidade do estudo foi a descoberta da atuação específica em bactérias de feridas da pele... O diferencial da pesquisa foi otimizar a extração dessas substâncias de forma sustentável para combater infecções específicas”, completa. Pesquisadores da Unicamp descobrem potencial curativo da casca de romã Marina Shemesh/ Public Domain Pictures A pesquisadora lembra que a indústria de sucos utiliza majoritariamente a polpa da romã. A casca, no entanto, compõe cerca de 78% da fruta e acaba frequentemente descartada em aterros sanitários, gerando riscos ambientais. No total, a indústria alimentícia gera cerca de 1,3 bilhão de toneladas de resíduos anuais em cascas e sementes. “Nós buscamos avaliar uma alternativa para transformar esses descartes em produtos de alto valor agregado para a saúde humana, mais especificamente para o tratamento de feridas na pele”, finaliza. Próximos passos Na próxima etapa, os cientistas planejam combinar os dois compostos naturais da casca (ácido elágico e punicalaginas) para verificar se, juntos, criam um “efeito de equipe” que potencialize a ação contra bactérias e fungos. Apesar dos resultados animadores, o uso prático ainda exige etapas rigorosas. O próximo passo envolve a aplicação in vivo (em feridas reais) e testes de toxicidade nas células humanas para descartar reações adversas. Só após essas fases a substância poderá ter seu uso clínico validado na saúde. Pesquisadores da Unicamp descobrem potencial curativo da casca de romã Pxhere Sobre a pesquisa O estudo integra um projeto de pós-doutorado financiado pela Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) e é desenvolvido na FCA/Unicamp. O trabalho conta com a colaboração dos pesquisadores Thais C. Brito-Oliveira, Maria E. Cavalheiro, Felipe S. Bragagnolo, Monique M. Strieder, Vitor L. Sanches, Camila Delarmelina e Marta C. T. Duarte, sob supervisão do professor Mauricio A. Rostagno. *Sob supervisão de Rodrigo Peronti. VÍDEOS: Destaques Terra da Gente Veja mais conteúdos sobre a natureza no Terra da Gente

FONTE: https://g1.globo.com/sp/campinas-regiao/terra-da-gente/noticia/2026/02/12/pesquisadores-da-unicamp-descobrem-potencial-curativo-da-casca-de-roma.ghtml


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